Saí da aula do professor Horácio com medo. Afinal, ele me fez lembrar que eu ficarei simplesmente perdida logo ou daqui a alguns anos. A previsão dele é enfática: nossos HD’s vão queimar. Essa parece uma certeza absoluta, assim como a que diz que todos nós vamos morrer um dia.
Eu nunca fiz backup dos meus arquivos. Tenho trabalhos importantes em Corel, documentos da faculdade, fotos da formatura. Tudo digital. Tudo no HD. Lembro-me de uma das poucas vezes em que me preocupei com a saúde do meu PC. Foi durante o último semestre do curso de Jornalismo, enquanto fazia a monografia, sempre tinha o costume de enviar a última versão do trabalho para o meu próprio e-mail. Tinha medo da maldição do “computador estragado durante o período da monografia”. Parece ser o fim pensar em um trabalho perdido por causa de uma máquina que decide ter vida própria e não funcionar mais.
Muita gente confia nas ferramentas online para guardar seus arquivos. Dizem que é a tendência – tudo ficará guardado nas nuvens de computação. Esse trecho de uma reportagem da revista Época, transmite muito isso:
“Um dia, acreditei no sonho de que poderia me desapegar dos arquivos materiais e levar uma vida mais leve, com aparelhos portáteis e todos os meus arquivos guardados em sites na internet. Eu poderia ignorar o disco rígido do meu computador, aposentar o HD externo e me libertar da obsessão de queimar back-ups em DVDs. Guardaria minhas fotos no Flickr, vídeos no YouTube, contatos dos amigos no Facebook, documentos e planilhas no GoogleDocs e agenda no calendário do Google. Essas empresas se oferecem para armazenar nossos preciosos dados. Eles são divididos em fragmentos de informação e pulverizados entre milhares de servidores próprios e alugados, espalhados por vários continentes, conectados por redes de comunicação rápida. Tudo isso forma um complexo sistema que os engenheiros batizaram de nuvem de computação.”
Essa mesma matéria, que pode ser lida na íntegra aqui traz um alerta sobre esse “sonho”. Ela cita uma pane no Gmail, em setembro de 2009, quando o serviço ficou fora do ar por quase duas horas e causou transtorno em quem usa o email do Google para tudo.
Essa não foi a única ferramenta a demonstrar instabilidade. Twitter, Facebook e Flickr são exemplos de serviços que já sofreram panes e deixaram seus usuários apreensivos.
De acordo com Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google, “não existe sistema no mundo à prova de falhas. Isso é inerente à tecnologia".
Sem segurança nas nuvens de computação, sem certeza quanto ao HD que temos em casa, onde nossos arquivos poderão estar seguros? Como foi discutido na aula, poucos têm a cultura do papel. Ninguém mais imprime fotografias, livros são lidos na tela do computador, não trocamos mais cartas e sim, e-mails. A nova geração está aí e já nasceu com essa cultura.
Deixo aqui a conclusão da matéria:
“Esses defeitos não vão acabar com as nuvens. Mesmo com as falhas técnicas, os arquivos guardados on-line geralmente estão mais seguros que os que ficam em nosso computador pessoal. Segundo o FBI, a polícia federal americana, um em cada dez notebooks é roubado no primeiro ano. Um disco rígido comum (externo ou de computador) pifa em três ou cinco anos de uso. Em parte por isso, cerca de 15% dos notebooks estragam durante um ano, diz o instituto de pesquisa IDC. A solução, ao menos por enquanto, talvez seja confiar na nuvem. Mas confiar desconfiando – e fazer a tradicional cópia de segurança em um disco
rígido próprio. Ou, melhor ainda, em DVDs guardados no fundo do armário.”
Por Laura Peruchi
Amanhã mesmo farei backup! #medo
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